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Ben Sulayem causa briga com a F1 e a Liberty Media

Ben Sulayem causa briga com a F1 e a Liberty Media

24 janeiro - 20:55
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GPblog.com

As tensões entre a Fórmula 1 e a FIA continuam a aumentar. Com a recente carta enviada à FIA pela Fórmula 1 e a Liberty Media, contendo duras críticas ao comportamento da Federação, parece haver uma pequena guerra entre as partes. Mas, como a situação chegou até esse ponto? O GPblog te ajuda a entender.

Exatamente um dia atrás, o GPblog noticiou que o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, acabou escrevendo uma série de tweets controversos indicando que a Fórmula 1 estaria à venda. De fato, os tweets de Ben Sulayem foram em resposta a uma suposta oferta que a Liberty Media recebeu de um fundo de investimento da Arábia Saudita, que demonstrou interesse em assumir a categoria pela quantia de US$ 20 bilhões. Nas entrelinhas, ficou claro que a F1 não vai mudar de mãos apenas por causa de valores financeiros, mas que, por fim, uma venda da categoria não tinha sido descartada. Pelo menos, foi isso que Ben Sulayem parecia querer dizer.


Carta com duras críticas

Pouco menos de 24 horas depois, os tweets feitos por Ben Sulayem não foram bem recebidos pelas demais partes envolvidas no assunto. De fato, a Fórmula 1 e a Liberty Media criticaram duramente as declarações do presidente da FIA. Uma carta oficial foi até mesmo enviada à Federação - uma carta que obviamente foi vazada para a mídia - na qual a Fórmula 1 afirma claramente que a Federação de Automobilismo deveria manter a boca fechada sobre todos os assuntos comerciais que afetam a principal categoria de corridas do mundo.

O tom da carta é totalmente explosivo, mostrando o quão perturbada está agora a relação entre as partes. No centro de toda a controvérsia está Mohammed Ben Sulayem. O Emirati - ao contrário de seu amado predecessor Jean Todt - é alguém que gosta de transmitir suas opiniões, de preferência via Twitter. Algumas semanas atrás, ele causou um alvoroço ao anunciar que a Fórmula 1 estava abrindo as portas para novas equipes.

Isto levou a um enorme burburinho no paddock, embora ninguém tenha se manifestado de maneira mais contundente. De fato, o consenso entre as equipes da F1 foi precisamente (com exceção da Alpine) que 10 equipes são suficientes no momento. E aí, o membro mais importante da FIA decide dizer que pensa completamente o oposto.


Controvérsia com a Andretti

Logo após os tweets de Ben Sulayem, muitas partes anunciaram que estavam interessadas em entrar na Fórmula 1, sendo o candidato mais proeminente Michael Andretti. O americano viu as palavras do chefe da FIA como uma confirmação de que ele poderia estar no grid com a sua equipe em breve. Pouco tempo depois, a Andretti anunciou a parceria com a General Motors (com a marca Cadillac) e, de acordo com o dono da equipe, a Fórmula 1 realmente não poderia ignorá-lo desta vez. Nenhuma das equipes se manifestou, embora uma mensagem cautelosamente positiva veio da parte de Toto WolffZak Brown, por exemplo.

As equipes ficaram, portanto, surpresas quando Ben Sulayem desabafou no Twitter sobre a recepção negativa que a Andretti e a Cadillac supostamente receberam. Mais uma vez, as equipes não responderam na mídia às palavras do presidente da FIA, apesar de estarem furiosas com os comentários. As equipes entenderam que a General Motors não seria mais do que uma simples patrocinadora, e não uma fabricante que gostaria de levar o esporte para o próximo nível - e, por isso, não foram convencidos pela proposta da Andretti.


Sem paciência para Sulayem

Após a última série de tweets, a Fórmula 1 parece ter perdido a paciência com Ben Sulayem. Em termos inequívocos, foi dito a ele para parar de interferir em assuntos que não lhe dizem respeito. Por exemplo, as equipes também ficaram irritadas com a forma como Ben Sulayem inicialmente se recusou a concordar com mais corridas sprint ao longo da temporada. Em resumo, o árabe demonstrou ter facilidade de irritar as equipes nos mais de 12 meses de seu mandato. Portanto, há uma chance real de que as tensões no paddock atinjam um ponto de ebulição novamente. Será, sem dúvida, uma temporada interessante. Não apenas na pista, mas certamente fora dela também.

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