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Quais desafios Vasseur terá que enfrentar caso vá para a Ferrari?

Quais desafios Vasseur terá que enfrentar caso vá para a Ferrari?

23 novembro - 15:13 Última atualização: 18:21
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GPblog.com

As coisas continuam incertas nos bastidores da Ferrari. A equipe italiana cometeu vários erros nesta temporada em termos de estratégia, técnica e gerenciamento, deixando a Ferrari incapaz de competir com a Red Bull Racing. Isto possivelmente vai custar a Mattia Binotto o seu trabalho, enquanto que Frederic Vasseur já está pronto para sucedê-lo. O que Vasseur pode acrescentar à equipe? E em que medida o chefe de equipe de sucesso é prejudicado?

Vasseur entrou pela primeira vez na Fórmula 1 em 2016, quando a Renault o escolheu para tomar conta da equipe. O francês já tinha muita experiência no automobilismo, então ele começou o seu trabalho com convicção do que gostaria de fazer. Porém, a parceria com a equipe francesa nãu durou muito tempo - a Renault mostrou não estar disposto a mudar algumas coisas, o que resultou na saída de Vasseur após apenas uma temporada.

Um ano depois, a Sauber decidiu contratá-lo para assumir o papel de diretor administrativo e CEO. Vasseur recebeu muita liberdade na equipe para fazer as mudanças que achasse necessárias, e optou por dar a Charles Leclerc uma chance em um carro de Fórmula 1 em 2018. Foi uma jogada de mestre, pois o monegasco imediatamente mostrou seu talento e conseguiu garantir uma vaga na Ferrari já na temporada seguinte.

Ao longo dos últimos anos, Vasseur vem construindo o seu trabalho tranquilamente. Quando ele chegou a equipe estava acostumada a ficar na parte de baixo da classificação, e hoje, a Alfa Romeo - novo nome da equipe nesse meio tempo - consegue disputar no pelotão intermediário. Vasseur provou ser capaz de convencer nomes como Kimi Raikkonen e Valtteri Bottas a quererem fazer parte de sua equipe. Como resultado, nesta temporada a Alfa Romeo chegou a ocupar o sexto lugar no campeonato de construtores.

Vasseur pode agregar e muito na Ferrari com a sua experiência. Ao mesmo tempo, ele também terá que lidar com outros aspectos  - por exemplo, as expectativas na Ferrari são muito maiores do que ele está acostumado e ele terá que provar ser capaz de lidar com uma pressão maior.

Por que a Ferrari o escolhe?

Na Ferrari, a situação é clara. A equipe esperava disputar o título mundial pela primeira vez desde 2007 (último ano em que foi campeã), mas não conseguiu fazer frente com a Red Bull este ano. Embora tivesse um carro melhor no início da temporada, a equipe austríaca conseguiu ficar perto de sua rival e ultrapassá-la por diversas vezes durante o ano.

Os italianos, portanto, parecem concordar que mudanças precisam ser feitas dentro da equipe. Não é surpresa que a Ferrari acabe optando por Vasseur, pois o chefe da Alfa Romeo provou sua capacidade de desenvolver uma equipe nas últimas temporadas. Entre outras coisas, o francês possui uma personalidade calma em relação ao que acontece fora da equipe.

Além disso, parece ser uma boa escolha para Charles Leclerc, que parece não querer falar com Binotto nos últimos meses. Vasseur permitiu que Leclerc fizesse sua estreia na Fórmula 1 pela Sauber no passado, e manteve um bom contato com seu ex-aluno nas últimas temporadas. A Ferrari espera conquistar um título mundial com o monegasco, fazendo tudo o que estiver ao seu alcance para mantê-lo feliz.

O que isso significa para os pilotos?

A possível escolha de Vasseur também significa um sinal claro para Sainz. O espanhol, junto com seu pai, deixou claro repetidas vezes que ele também tem o objetivo de um dia ganhar o título mundial com a Ferrari, mas provavelmente não seria o preferido de Vasseur. O sinal é claro: Sainz será o segundo piloto a partir de agora.

Para Leclerc, poderia ser realmente um motivo extra para trabalhar ainda mais na Ferrari. O piloto tem tudo para ser campeão um dia, apesar de também ter cometido alguns erros este ano - lhe falta um pouco mais de bagagem para brigar no topo. Vasseur saberá quais aspectos ele precisa atingir com Leclerc para colocá-lo em forma e permitir que ele dê o próximo passo em sua carreira.

Quão grande é o desafio de Vasseur?

Espera-se que Binotto não seja o único chefe da Ferrari a deixar a equipe, pois Inaki Rueda e Laurent Mekies também teriam sido informados de que eles não farão mais parte da equipe na próxima temporada. Isso teria um efeito imenso na magnitude do desafio de Vasseur, pois com uma gestão quase que inteiramente nova, normalmente leva algum tempo para que todos se acostumem uns com os outros.

Vasseur vai querer trabalhar a longo prazo. Seu passado na Renault mostra que ele exige tempo de suas equipes para colocar sua marca na política para construir algo, e por isso ele vai precisar desesperadamente do apoio da Ferrari. Ele possivelmente será bastante criticado por quem está de fora da equipe, que normalmente não tem muita paciência quando os resultados demoram a aparecer, o que vai fazer com que ele seja pressionado.

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